Faculdade aprova pesquisa de uso de inibidor sexual em pedófilos

RENATO SANTIAGO
da Folha Online

O Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC, em Santo André (Grande São Paulo), aprovou um projeto de pesquisa sobre o uso de medicamentos em pedófilos, a chamada "castração química" --termo popular para o tratamento com hormônios femininos que tentam reduzir o desejo sexual em pessoas com histórico de pedofilia. O efeito é temporário.

O coordenador do comitê, o pneumologista Elie Fiss, afirmou que a pesquisa foi apresentada pelo setor de psiquiatria e aprovada, mas com algumas modificações. O projeto deve voltar à mesa do comitê no dia 9, para eventual chancela.

À Folha Online Elie Fiss disse que as mudanças pedidas pelos membros do comitê são "de caráter ético e metodológico". Ele afirmou que, se houvesse algo grave ou irregular no pedido, a pesquisa teria sido "rejeitada" de imediato.

O comitê é composto por 30 pessoas --médicos, juristas, enfermeiros e membros da comunidade e outros profissionais.

Histórico

O projeto foi apresentado depois que o professor-assistente de psiquiatria da faculdade, e doutor pela USP, Danilo Baltieri, declarou ao jornal "O Estado de S.Paulo", em outubro, que administrava hormônios a um pedófilo --com autorização por escrito do próprio doente.

Após a declaração, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) abriu um procedimento sobre o caso, que ainda não está concluído. Segundo a Folha Online apurou, o órgão não deverá apontar irregularidade no tratamento.

Pesquisas apontam que medicar leva à redução na reincidência de pedófilos entre 30% e 70%. Nenhuma delas é definitiva. O uso de medicamento contra o comportamento pedófilo é feito na Europa e em Estados norte-americanos.

Procurado pela reportagem, o psiquiatra Baltieri informou que não falaria sobre o assunto.

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